A UBS José Manoel Reis, no bairro Areias, vai mais que dobrar de tamanho. Conforme o prefeito de Tijucas, Maickon Sgrott (PL), a unidade passará dos atuais 304 metros quadrados para 740 metros quadrados, com projeto já em andamento. A ampliação é considerada a mais urgente da rede municipal de saúde diante do crescimento acelerado da região, que abrange também os bairros Jardim Progresso e entorno.
“Deu de puxadinho no posto de Areias. Com certeza essa Unidade Básica de Saúde é a que mais precisa de uma reestruturação, de uma transformação pra dar a devida atenção, a devida qualidade no atendimento”, afirmou o prefeito. Segundo Sgrott, a estrutura atual não comporta mais profissionais e limita a capacidade de atendimento da população que cresceu na região.
A primeira medida já saiu do papel. A partir desta quarta-feira, 1º de abril, a UBS de Areias passou a funcionar até às 23 horas, ampliando o horário de atendimento para atender moradores que não conseguem ir à unidade durante o expediente comercial. A extensão do horário também visa desafogar a demanda nos períodos de maior procura.
População praticamente dobrou em pouco mais de uma década
O contexto por trás da ampliação é o crescimento vertiginoso da população de Tijucas. Conforme o Censo do IBGE, o município tinha 30.960 habitantes em 2010. Em 2022, o número saltou para 51.592 pessoas, um aumento de 66% em apenas 12 anos. A estimativa oficial do IBGE para 2025 aponta 58.695 moradores, mas informalmente a cidade já teria ultrapassado a marca de 60 mil habitantes.
Na prática, a população de Tijucas praticamente dobrou em pouco mais de uma década. O município, que figurava como uma cidade de pequeno porte no início da década passada, hoje ocupa a 32ª posição no ranking populacional de Santa Catarina. O boom imobiliário, a localização estratégica às margens da BR-101 e a proximidade com Balneário Camboriú e Florianópolis aceleraram a chegada de novos moradores de todo o Brasil.
Moradores ouvidos pela reportagem confirmam o fenômeno. Uma das pacientes da UBS de Areias, vinda da Bahia, relatou que mora na região há apenas um ano. O fluxo migratório, ao mesmo tempo em que pressiona a rede pública de saúde e educação, é também o que impulsiona o crescimento econômico da cidade. Os novos moradores são mão de obra essencial para as fábricas, indústrias e o comércio local, que seguem em expansão. A Prefeitura reconhece que essas pessoas são muito bem-vindas e que o desafio é fazer a estrutura pública acompanhar o ritmo do desenvolvimento.
Rede de saúde sob pressão: novos serviços e mais profissionais
A ampliação da UBS de Areias faz parte de um pacote mais amplo de investimentos na saúde. A Prefeitura também planeja a construção de novas unidades de saúde para as regiões do Mata Atlântica e da XV de Novembro.
Outro avanço recente é o início dos atendimentos na Casa do Autista (CAP-TEA), que começou a funcionar nesta semana em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali). O espaço conta com salas adaptadas para terapias como neuropsicologia e estimulação sensorial. Conforme o coordenador Rafael Silva Fontenelle, as equipes estão em fase de avaliação inicial das crianças. O acesso é feito por encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde.
Desde o início da gestão, em janeiro de 2025, a Prefeitura contratou mais de 120 novos profissionais da saúde por meio de chamamentos públicos, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, fisioterapeutas e agentes comunitários. Conforme a administração municipal, o reforço no quadro visa reduzir a sobrecarga dos profissionais e melhorar o atendimento nos postos e na rede hospitalar.
Hospital São José: cobrança por maternidade, leitos de UTI e ampliação da emergência
Além da atenção básica, a Prefeitura tem pressionado o Hospital São José, administrado pelo Instituto de Gestão Administração e Pesquisa em Saúde (IGAPS), para avançar em três frentes consideradas urgentes: a implantação de uma maternidade, a entrega dos primeiros 10 leitos de UTI e a ampliação da emergência.
Conforme o prefeito, o município repassa R$ 550 mil por mês ao hospital, totalizando mais de R$ 6,5 milhões por ano, e os recursos para as obras estão garantidos. “O dinheiro existe, está no caixa, e o que falta agora é o hospital avançar”, afirmou Sgrott. A expectativa da Prefeitura é de que as obras da UTI sejam iniciadas ainda em 2026, com a ampliação da emergência e a implantação da maternidade previstas para 2027.
A maternidade é uma das pautas mais sensíveis para a população de Tijucas. Atualmente, gestantes do município precisam se deslocar para outras cidades da região para o parto. O convênio entre a Prefeitura e o IGAPS, formalizado pelo Termo de Convênio nº 121/2022, também prevê que é vedada a cobrança ao usuário do SUS pelos serviços prestados no hospital.
Crise de atestados expôs sobrecarga na rede
Outro fator que pressionou a gestão a agir foi a escalada no número de atestados médicos entre os servidores públicos. Em 2023, cerca de 400 servidores se afastaram. Em 2024, o número subiu para 600, com 9 mil dias de licença. Em 2025, foram mais de 800 servidores afastados e 16 mil dias de atestado, de um quadro total de cerca de 2 mil funcionários.
A situação levou a Prefeitura a publicar o Decreto nº 2906, que criou uma junta de perícia médica para avaliar os afastamentos. Servidores da saúde chegaram a protestar, vestidos de preto, com cartazes que diziam “a saúde está de luto” e “a ‘farra de atestados’ tem nome: exaustão mental”.
Conforme o prefeito, a perícia não é uma perseguição, mas um instrumento de diagnóstico. “Quinze mil atestados me dizem uma coisa: tem muita gente adoecendo. E quando tem muita gente adoecendo, o meu dever como prefeito é entender o porquê”, disse Sgrott. A contratação de mais de 120 profissionais, segundo ele, é uma resposta direta ao problema. “Servidor com equipe completa, com estrutura, com condição de trabalho, adoece menos”, declarou.
O que vem pela frente
A Prefeitura de Tijucas informou que o projeto de ampliação da UBS de Areias já está em andamento e que a estrutura terá recepção maior e consultórios ampliados. A administração municipal também planeja novas unidades de saúde em bairros com maior pressão demográfica.
No Hospital São José, a Prefeitura informou que seguirá acompanhando cada etapa e cobrando avanços do IGAPS. Para 2026, a previsão é o início das obras da UTI. Em 2027, a ampliação da emergência e a implantação da maternidade. A cidade, que em uma década dobrou de tamanho, agora corre para fazer a saúde pública acompanhar o ritmo do crescimento.


